Falta tudo na copa 2014. Até vergonha

Logo da Copa de 2014 foi lançada na África

A 1.429 dias – a partir de 13 de junho de 2010 – da Copa do Mundo de 2014 nas 12 capitais-sede aprovadas pela FIFA no Brasil, falta tudo. Até vergonha e principalmente verbas e sobram problemas, há falhas e por todo lado, nas mídias antigas e novas, nas colunas, nos blogs, na oposição, nas rodas de política, de economia, nos programa de rádio e TV, na Internet, nos blogs e até nas resenhas de botequins, bares e restaurantes, onde invariavelmente se fala também de futebol. Bem ou mal, principalmente se cobra e se aponta que a Copa’2014 vai ser uma das mais complicadas e vai lavar dinheiro e provocar um tsunami de corrupção, de superfaturamento, o diabo. Basta ver as noticias e suas repercussões que cresceram na semana passada e prosseguem agora, nos primeiros dias pós-Copa da África do Sul.

“Três anos depois de dar a Copa de 2014 ao Brasil, a FIFA alerta que falta tudo ainda no País para organizar o Mundial em quatro anos. A entidade deixou claro que, com o fim da Copa de 2010, passará a pressionar o Brasil” diz o texto de abertura da manchete da primeira página deste 13 de julho de 2014  e também do Caderno de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo. O título principal é: “FIFA diz que ‘falta tudo’ para a Copa de 2014″ e ainda acrescenta “Tribunal de Contas da União também vê riscos e avalia que as obras  estão ‘impressionantemente atrasadas’ para a Copa no Brasil”. O próprio TCU alerta para riscos previsíveis da Copa de 2014 no Brasil como “mau exemplos”, lembrando a experiência de superfaturamento nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, e cobra a necessidade de acompanhamento das ações do governo federal e outros em eventos de grande porte no país, e alerta que é preciso saber quem vai pagar o quê de agora até a abertura da Copa’14, dia 11 de junho de 2014, se a iniciativa privada ou/e os governos da União, dos Estados e das cidades-sede.

Aponta  ainda o TCU dificuldades de infraestrutura, a falta de contratação de obras  importantes, classificadas como “obras conceituais”, que nada implicam ou justificam, também o risco de se ter, como no Pan-Rio e em outras copas e Olimpíadas pelo mundo quando arenas, estádios, obras fantásticas e até aeroportos e hotéis viraram verdadeiros ‘elefantes brancos”  sem público e sem interesse da iniciativa privada ou dos governos. Lembrando que sem o adiantamento de concorrências e de auditorias de preços e obras, há possibilidade de aumento dos gastos previstos mesmo antes de se terminarem as arenas, estádios, estradas e aeroportos, entre outros. Há demora ainda de pedido e liberação de financiamentos do BNDES e que tudo pode terminar com a Copa da confederações que tem de ser em 2013 ter falhas impressionantes nas exigências da FIFA e do circo do futebol. É ficar atento e acompanhar.

Depois de dar a Copa de 2014 ao Brasil, a FIFA alerta que falta tudo ainda no País para organizar o Mundial em quatro anos. A entidade deixou claro que, com o fim da Copa de 2010, passará a pressionar o Brasil para acelerar as obras para o Mundial. Muitas das promessas sequer saíram ainda do papel, para o desespero da Fifa. Questionado se existiam problemas do Brasil para a Copa, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke admitiu  que são muitos. “Temos alguns problemas sim”, disse. A lista do cartola, na realidade, é longa e complexa. “Precisamos construir estádios, estradas, o sistema de telecomunicações, aeroportos e ver se há mesmo a capacidade suficiente em hotéis”, disse Valcke.

Em resumo, o recado da entidade é de que nada está em dia. Não há nem uma definição de onde ocorrerão os jogos de abertura e semifinais, como será a infra-estrutura, quais aeroportos serão usados e nem sobre garantias financeiras. Um membro do Comitê Executivo da Fifa admitiu ao Estado que, se o Brasil não tivesse concorrido sozinho para sediar a Copa, não teria levado diante da falta de planejamento.

Para a Copa de 2018 e 2022, há na Fifa quem tenha a sensação de que os candidatos estão mais preparados que o Brasil. Nos bastidores, o Brasil vem sendo considerado pela Fifa como um país tão problemático ou até pior que a África do Sul para a  Copa. Antes do início do Mundial, o presidente da entidade, Joseph Blatter, chegou a apontar que “o Brasil não era um paraíso”, em um sinal de insatisfação com a forma de lidar com a Copa pelos cartolas e governos.

Em maio, Valcke já havia alertado que os trabalhos no Brasil estavam “impressionantemente atrasados”. Sua avaliação é de que o atraso chegava a dois anos. Na quinta-feira, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garantiu que essa não era mais a situação do Brasil e que as obras estavam já em andamento. Mas alertou para a situação dos aeroportos.

Na sexta-feira, foi a vez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacar quem duvidasse do Brasil. Para ele, era “descabido” questionar se o Brasil estaria pronto para a Copa, garantindo que investimentos seriam feitos e que não faltaria aeroportos. Lula chegou a se irritar com o questionamento. “Se o Brasil não tiver condições, garanto que volto da África à nado”, disse.

Valcke, que terá de tomar decisões sobre estádios e sobre o formato da competição no Brasil, admite que o trabalho não será pequeno. “Vamos trabalhar em todos esses assuntos”, garantiu. A Fifa havia prometido que falaria de 2014 após o final da Copa de 2010. Mas, ontem, um dia após a final da Copa, o sentimento ainda era de que não se deveria tratar do assunto diante do grande número de polêmicas. A Fifa estava decidida a não permitir que jornalistas brasileiros tomassem a conferência para falar de 2014. Vários jornalistas do País que pediram a palavra simplesmente não foram atendidos.

Blatter admitiu que fará uma visita até o final do ano ao Brasil, antes do fim do mandato do  presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a relação entre a Fifa, CBF e o governo não é das melhores. Lula desistiu de assistir a final da Copa, o que foi considerado como um ato de menosprezo à entidade que levará o Mundial ao Brasil em 2014. Tradicionalmente, o presidente do próximo país sede é o convidado de honra da final da Copa do Mundial. Domingo passado,  na sala vip do estádio, o lugar de  Lula ficou vazio.

Copa das promessas

Daqui a quatro anos em junho e julho, a Copa do Mundo de 2014 vai ser a maior atração do Brasil e as promessas são muitas como aconteceu  na semana passada antes da decisão de Holanda x Espanha, em Johanesburgo, na África do Sul, para  a festa de lançamento do mundial brasileiro e também apresentação da logomarca da Copa de 2014. Só que as promessas são muitas, mas até o presidente da CBF, Ricardo Teixeira,  reconheceu  (depois dos discursos salamaleques, que foram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o presidente da Fifa, Joseph Blater, autoridades esportivas ou não, ex-jogadores e convidados) que há muito a trabalhar e fazer para que os brasileiros consigam fazer a copa dos sonhos depois da Copa de 1950, Há 64 anos. Chegou a dizer que o Brasil tem três problemas mais graves e enumerou “aeroportos, aeroportos e aeroportos”. Com razão, mas sobram outros desde transportes, hotéis, estradas, restaurantes, serviços essenciais e cumprimento dos chamados Cadernos de Encargos da FIFA.

Em qualquer uma das 12 capitais-sede escolhidas  uma rápida avaliação dos principais itens exigidos pela FIFA vai mostrar que  todas estão despreparadas  para receber a maior festa do futebol e  espetáculo do show-business internacional, dentro e fora dos estádios. Basta ver, na questão dos aeroportos e dos transportes, há falhas que não são toleráveis em grandes eventos esportivos ou não. Turistas e empresários  ou cidadãos comum que viajam pelo Brasil, de Norte a Sul,  diariamente apresentam reclamações e contam histórias de péssimo atendimento, falta de serviços e de condições, estacionamentos deficientes e caros.
Um dirigente esportivo ligado aos preparativos para a copa de 2014, no começo de julho, viajou profissionalmente para o Nordeste e Norte, passando antes por Rio, são Paulo e Belo Horizonte, fez questão de anotar as dificuldades e problemas enfrentados pelos turistas e viajantes comuns. Um exemplo: banheiros apertados, sem infra-estrutura e até filhas nas horas de maior pico de partida ou chegada de vôos nacionais e internacionais e até mesmo entre cidades de um mesmo Estado. Em Belo Horizonte, no aeroporto de Confins, na ida e volta, ele observou inadequação de banheiros, de restaurantes, de agências bancárias e de simples lanchonetes, para pegar ônibus ou táxi, e filas para usar banheiros, além de falhas na entrega e recuperação de malas e demais objetos despachados.

A apresentação da logomarca e dos projetos para a copa de 2014 no Brasil aconteceu no Estádio Soccer City, em Johanesburgo, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, o técnico Carlos Alberto Parreira, campeão do mundo com o Brasil em 1994 e que comandou a África do Sul no atual Mundial, e Romário, principal jogador do país na conquista do tetra, representaram o Brasil e falaram sobre a expectativa para daqui a quatro anos. Também participaram artistas, ex-jogadores da Seleção Brasileira, dirigentes e convidados especiais, do Brasil e do restante do mundo.

Ricardo Teixeira disse que o retorno da Copa do Mundo ao Brasil, após 64 anos, é  importante por  a paixão dos brasileiros pelo esporte ser reconhecida mundialmente e a seleção brasileira ter ganho cinco títulos – tenta o hexacampeonato em 2014 – e ter participado de todas edições da Copa desde 1930, no Uruguai.. Teixeira citou que algumas capitais – se estão adiantadas, citado Belo Horizonte como exemplo, mas  que outras estão atrasadas – São Paulo e Coritiba – e  outras precisam resolver problemas financeiros. Para Teixeira, São Paulo e Curitiba são as cidades que mais preocupam no momento, já que a capital paulista não tem  até hoje  um estádio aprovado e o Paraná ainda precisa definir o financiamento do estádio, que deve ser  a Arena da Baixada, do Atlético Paranaense.

As demais sedes são Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife e Salvador. De acordo com Teixeira, algumas estão mais avançadas e outras menos em suas obras. Há ainda a questão das verbas públicas e privadas. Uma preocupação geral é que não aconteça agora para o mundial’2014 como nos Jogos Pan-americano do rio que tinha gasto previsto de R$ 400 milhões  e acabou superando os R$ 2,5 bilhões.

Uma das novidades  anunciadas pelo presidente da CBF, sem explicar detalhes,  é a  de dividir o Brasil em quatro regiões para evitar grandes deslocamentos das seleções e dos torcedores durante o torneio, já que o Brasil tem dimensões continentais. Ele justificou que é para  facilitar o transporte e as viagens dos torcedores e delegações, mas  disse que a idéia ainda precisa ser debatida pelo comitê organizador da Copa de 2014, que será formado apenas após o Mundial da África do Sul.

Ao ser questionado sobre o problema da segurança no Brasil, Ricardo Teixeira lembrou que a insegurança existe em todos os lugares , seja na Europa, nos Estados Unidos, na África do Sul ou no Brasil. Mas recordou que o país está acostumado a organizar grandes eventos, como a Rio-92 e o Pan-Americano de 2007, que não registraram incidentes sérios  com turistas.Para o presidente da CBF, o grande problema brasileiro a ser resolvido em quatro anos é outro: aeroportos. Ele disse que a questão será administrada pela Infraero e que o governo federal já tem planos para os aeroportos, assim como para a questão da violência. Para Ricardo Teixeira, o próximo desafio do Brasil é receber o sorteio dos grupos das eliminatórias da próxima Copa, a princípio previsto para 31 de julho de 2011, mas ainda sem uma cidade definida, a bola da vez é o Rio e o Maracanã para os jogos de abertura e encerramento, mas pode ser em são Paulo e até em BH, no Mineirão. Vale acompanhar e conferir, gente brasileira.

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3 respostas para Falta tudo na copa 2014. Até vergonha

  1. Andre disse:

    Rogério, para onde vão os milhares de caminhões de terra que vão ser retirados para rebaixar o gramado do Mineirão? Existe licença ambiental e na prefeitura ? Os doutrores podem fazer tudo neste país grande e bobo …

  2. Marcondes disse:

    Rogério, para onde vão os milhares de caminhões de terra que vão ser retirados para rebaixar o gramado do Mineirão? Existe licença ambiental e na prefeitura ? Os doutrores podem fazer tudo neste país grande e bobo …

    • Caro Marcondes, essa histria de rebaixar gramados e atender tudo que a FIFA exigncia brincadeira. Na Copa da Alemanha, s tive entrada para a derrota do Brasil contra a Frana meia hora antes do jogo mesmo credecniado e tudo mais. Eu e outros jornalistas tivemos de atravessar quase trs quyilmetros at o porto, subir escadarias ( elevador s para reas vips)( e ficar no teto (isso mesmo do estdio), junto com jornalistas de outras partes do mundo e daqui. A viso do jogo era complicada e s se identificava jogadores mais famosos pois estavam muito longe e pareciam anezinhos. Reclamei mas como o Brasil foi eliminado, nem me deram respostas, verbais ou escritas. essa histria da copa de 2014 vai render em BH, que dizem ter a melhor preparao, e por todo lado. Vai ser um espanto…

      Escreva sempre e gracias, rogrio Perez

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