Clássico desrespeitado e depreciado

Cruzeiro e Atlético  jogam, neste sábado, dia 12 de fevereiro de 2011, às 17h, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, um clássico para a  história do futebol mineiro que completa 90 anos nesta temporada. Para tristeza das torcidas e de todos os personagens do esporte, o maior clássico de Minas e um dos maiores de Minas, do Brasil e do mundo. Ao contrário das grandes decisões mineiras, nos jogos no Independência e depois no Mineirão, com mais de 40 mil torcedores e recordes de mais de 120 mil pagantes, desta vez o clássico está apequenado, desrespeitado e depreciado com a esdrúxula medida, sob alegação de questões de segurança,  de só se permitir “um torcida”, agora do Cruzeiro, sendo que anteriormente aconteceram outros dois clássico com  só se permitindo torcedores cruzeirenses ou atleticanos.  Pior, na Arena do Jacaré, ainda não completada, laudos das autoridades só permitem menos de 20 mil torcedores e até a torcida azul será contida, no primeiro grande clássico da década.

A decisão de se jogar em Sete Lagoas, com a lotação não permitida, é por o Independência ter sido destruído e o Mineirão estar em obras de reformas, que só devem acontecer antes da Copa das Confederação da Fifa, em 2013 ou para a Copa de 2014. O secretário  Sérgio Barroso, da Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo de 2014,  anunciando que o Mineirão deverá ser reinaugurado no dia 31 de dezembro de 2012 e já poderá ser usado em 1 de janeiro de 2013, com custo de R$ 654 milhões ( só para comparação o Maracanã tem problemas com o TCU por falta de projetos e confirmação de verbas junto ao BNDEs, enquanto o Mineirão foi considerado modelo nos itens fiscalizados) e o Independência deverá  ficar pronto até 2013, com todos órgãos e entidades envolvidas tendo uma reunião até o fim de fevereiro para se reafirmar datas e custos do Independência e dar mais detalhes  do Mineirão.

Sem grande torcida e ausência dos atleticanos, o clássico será importante mesmo não decidindo nada ainda. Desde o primeiro jogo, em 1921, mais de 400  clássicos foram disputados, a maioria deles em Belo Horizonte, por torneios locais, regionais e nacionais. O primeiro foi um amistoso em 17 de abril de 1921, no antigo Estádio do Prado, em BH, onde hoje é o Batalhão da PM, na rua Platina, na Região Oeste da capital.  Como o nome de Palestra Itália, o time cruzeirense venceu por 3 a 0, com dois gols de Atílio e um de Nani.  E ganhou  medalha de ouro pela primeira goleada  sobre o rival, fundado 13 anos antes e que na época disputava a condição de maior  clube da cidade com o América.

 Embora ainda não fosse o principal clássico de Belo Horizonte à época,  Atlético x Cruzeiro teve destaques na primeira década. Foi em 1927 que o Atlético aplicou a maior goleada da história do clássico: 9 a 2, pelo Campeonato Mineiro, chamado Campeonato da Cidade.  O atual Cruzeiro, já estava eliminado do torneio e se vencesse provocaria uma decisão entre América e Atlético na última rodada. O Galo atropelou e ficou com o troféu. Anos mais tarde, o atacante do Palestra, Ninão, alegou que os celestes teriam entregado a partida para evitar que o título ficasse mais uma vez com o América, então decacampeão mineiro, de 1916 a 1925.

Foi a maior polêmica do clássico. Nas estatísticas, cheias de controvérsias,  pelos números do Galo, foram 467 jogos, com 189 vitórias atleticanas, 123 empates e 155 triunfos azuis. Já nas contas do Cruzeiro são 449 confrontos, com 154 vitórias celestes, 119 empates e 176  conquistas do rival.

Até os anos 1950,  quando a Copa do Mundo foi disputada no Brasil, o grande clássico da capital mineira era América x Atlético, times mais antigos e com maior número de títulos estaduais. Foi a partir dos anos 1960, com a inauguração do Mineirão,  em 11 de setembro de 1964,  o Cruzeiro tomou o lugar do Coelho e passou a disputar com o Galo a  liderança de Minas. Foi também  na Pampulha que o clássico cresceu em público e renda e passou a ter reconhecimento nacional. O primeiro duelo, em 24 de outubro de 1965, foi vencido pelo Cruzeiro por 1 a 0, com gol de Tostão, e assistido por 47.530 pagantes. E  com os times crescendo, o clássico passou a ter média de público de 90 mil torcedores por partida. O recorde de bilheteria foi no Campeonato Mineiro de 1969, com 123.351 pagantes vendo o Zero vencer por 1 a 0 – recorde de público pagante do Mineirão em toda a sua história.

 

Até mesmo nos jogos disputados no Gigante da Pampulha há diferença nas estatísticas. De acordo com o Cruzeiro, são 218 partidas, sendo 80 vitórias celestes, 69 empates e 69 derrotas. Para o Galo, foram 224 jogos, com 72 vitórias alvinegras, 71 empates e 81 derrotas, todas no Mineirão.

Agora com o Mineirão em obras e o Independência no chão, o clássico deste sábado entre Cruzeiro e Atlético deverá  apenas um terço  da média histórica de pagantes.E com jogos dos times grandes só na Arena do Jacaré e no interior do Estado, o futebol mineiro vive no início de 2011 uma crise das torcidas.

Sem estádios em Belo Horizonte, o clássico deste sábado (dia 12) terá um público máximo de 18 mil pagantes, só de cruzeirenses, o que representa menos da metade da média histórica, considerando-se o primeiro confronto entre Cruzeiro e Atlético, pelo Estadual, nas últimas cinco temporadas.
Ao mesmo tempo, quatro estádios de cidades do interior (Uberaba, Governador Valadares, Montes Claros e Divinópolis) têm a capacidade reduzida à metade pelo Ministério Público Estadual, pela falta de laudos técnicos do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA). A liberação total só acontecerá após a apresentação dos documentos. Desrespeito e sofrimento para os torcedores e prejuízos enormes principalmente para Atlético e Cruzeiro e também para os demais clubes de Minas. No ano passado, no clássico que foi disputado na sexta rodada, em 20 de fevereiro, 41.591 torcedores pagaram ingresso para assistir a vitória de 3 a 1 do Cruzeiro. A renda foi de R$ 988.227,50.

Na sequência do Campeonato Mineiro de 2011,  Atlético e Cruzeiro podem  ainda se enfrentar nas semifinais ou até na grande final, dependendo dos resultados. O mesmo prejuízo e falta de grande público deverá acontecer, sempre  até que o Independência e o Mineirão fique prontos.  Os dois times poderão jogar em Ipatinga e Uberlândia mas correndo riscos técnicos e financeiros. Neste sábado, os técnicos Cuca e Dorival Junior vão escalar seus principais titulares em condição de jogo. O Cruzeiro com o mesmo time que venceu na última rodada e o Atlético sem Rever, machucado, e Richarlyson, expulso e suspenso. Um clássico sem grande torcida e também sem favorito.

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