O fenomenal Ronaldo Dentuço de BH

O Mito entra de vez para a história!

Ronaldo Luís Nazário de Lima, maior artilheiro da história das Copas e bicampeão mundial pelo Brasil (1994 quase como mascote  e 2002), anunciou oficialmente a aposentadoria, em 14 de fevereiro de 2011. Emocionado e abandonando um roteiro previamente preparado, Ronaldo, o Dentuço do futebol mineiro, que surgiu no Cruzeiro trazido do São Cristóvão, do Rio, aos 34 anos, 18 como profissional, Il Fenômeno, como o chamavam os italianos quando ele ainda estava no Barcelona e encantava o mundo com dribles, gols e arrancadas sensacionais.  E chorou na passagem no CT do Corinthians para se despedir dos companheiros e também na entrevista coletiva tendo o filho no colo, falando da carreira, das conquistas, das derrotas e do Corinthians, seu último e também amado clube, pedindo desculpas por ter fracassado na Copa Libertadores, que sonhava ser campeão e artilheiro, mas acabou eliminado pelo Tolima da Colômbia e apressou o fim da careira derrotado pelas dores e pelo corpo castigado pelo mundo afora.

Ronaldo reconheceu ter perdido o jogo contra as seguidas contusões musculares, que o levaram a por fim na carreira,  que estava previsto para dezembro. E até justificou seu excesso de peso, tão criticado na Copa da Alemanha, em 2006, e agora nos quase dois anos de Corinthians, dizendo que “há quatro anos, no Milan, descobri que sofria de hipotireoidismo. Um distúrbio que desacelera o metabolismo e, para controlá-lo, eu teria de tomar alguns hormônios não permitidos, por causa do doping. Muitos agora talvez estejam arrependidos de ter feito chacota do meu peso, mas não guardo mágoa de ninguém”.

A despedida de Ronaldo, Il Fenômeno,  que começou a carreira profissional no Cruzeiro, feita junto dos filhos Alex e Ronald e do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Muito emocionado, foi às lágrimas em diversos momentos. “Estou encerrando a minha carreira como jogador profissional. Queria dizer que ela foi linda, maravilhosa, emocionante. Tive muitas derrotas, infinitas vitórias. Fiz muitos amigos, não me lembro de ter feito nenhum inimigo.”

Certamente muitos não o toleram e nem seu sucesso, mas Ronaldo sempre, desde que surgiu nas divisões de base no rio e veio para o Cruzeiro foi um sujeito do bem, articulado e que não destrava ninguém. “Tenho tido nos últimos dois anos uma sequência muito grande de lesões, que vão de uma perna para a outra, de um músculo para outro. E essas dores me fizeram antecipar o fim da carreira. É horrível você achar que vai ganhar na velocidade do zagueiro, como sempre fez, e não conseguir.” Ele contou ainda que “parecia que eu realmente estava na UTI,em estado terminal. Agora, este anúncio da minha aposentadoria foi como morrer pela primeira vez. É muito duro abandonar algo que te fez tão feliz, pelo qual você sente tanto amor, mas eu perdi para o meu corpo”, comentou chorando e abraçado aos filhos.

Ronaldo agradeceu os clubes e ex-companheiros do  São Cristóvão, Cruzeiro, PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians e aos zagueiros que o marcaram, lealmente ou com violência, que não foram poucos. Seus últimos títulos foram de campeão de São Paulo e da Copa do Brasil. Em dois anos, fez 69  jogos e 35gols, o último contra o Cruzeiro, em 13 de novembro do ano passado, na vitória por 1 a 0, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro de 2010.

Nestes 18 anos de profissional, carreira que começou no Cruzeiro, como repórter, editor e cronista, pude acompanhar de perto os gols, as façanhas e os dramas de Ronaldo Nazário de Lima. Quando veio do São Cristóvão, alto, magrelo, dentuço e simples, o vi nos treinos na Toca da Raposa, na primeira entrevista a Clésio Giovani e primeira foto no Cruzeiro, depois lançado por Carlos Alberto Silva em duas viagens do time mineiro a Portugal, quando começou a fazer gols e não mais parou, ou em campanhas institucionais como quando foi ao TRE, na Cidade Jardim, e começou uma série de chamadas para os jovens votarem aos 16 anos e, como ídolo, parou o trânsito e os trabalhos na campanha eleitoral.

Com seus gols, títulos e artilheiro do Campeonato Mineiro, Ronaldo acabou convocado para a copa de 94, nos Estados Unidos, pela dupla Parreira/Zagallo e lá ficou famoso e foi campeão do mundo mesmo sem ter jogado. Foi nesta viagem que ele, que era acompanha pela mãe, dona  Sônia Nazário, e fazia festa com tudo. Ele e mãe iam para os treinos e ficava com a família nas raras folgas.

Foi também nos EUA que Ronaldo acabou sendo negociado para o futebol europeu, comprado pelo PSV, quando no jornal foi dado o futebol graças a uma inconfidência de Jairzinho, o Furacão da copa de 70, para a repórter mineira Fabíola Colares, uma bomba internacional. Na volta da copa de 94, Ronaldo fez um jogo no Mineirão e tinha de viajar logo depois, recebeu presentes, taças e troféus, mas nem pode ver a família que veio do Rio e outras regiões. Ele foi para o aeroporto e os parentes ficaram fora do Mineirão segurando os troféus da torcida e de dirigentes.

Inesquecível também foi quando no Mineirão lotado, Ronaldo fez três gols na Argentina, todos de pênalti, e foi para a copa de 98, na França, onde acabou não chegando ao penta junto com os companheiros e foi o personagem do jogo final, vencido pela França em Saint Denis. Grande, Ronaldo, o maior artilheiro das Copas, com 15 gols, superando Just Fontaine e outros artilheiros mundiais. Um craque completo, daqueles de dar saudade.

Ronaldo, Il Fenomeno….

Outra lembrança desta semana é a saga de Eduardo Gonçalves Andrade, o Tostão, mostra, a cada nova coluna, que busca falar do futebol, dos esportes e da vida e do cotidiano de todos nós, amantes do futebol ou não, e quase sempre consegue.  Tostão buscou no clássico Atlético 4, Cruzeiro 3, mote para falar universalmente de tática, de craques e pernas-de-pau. Com estilo e talento. Grande Tostão que era gênio no IAPI e no Colégio Municipal de BH e segue talentoso e simples. Parabéns Tostão, o craque, o cronista e o cidadão, ainda mais que faz 40 anos que quase deixou o futebol por causa de uma bolada no olho, deu a volta por cima, foi campeão mundial de 70 e segue brilhando. Grande, Tostão. e grande Ronaldo, o Dentuço de BH.

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