Uma decisão diminuída em Minas

O foguetório, o buzinação, as comemorações e as carreatas dos atleticanos, as lamentações e busca de culpados entre os cruzeirenses, e a avalanche de piadas e comentários sobre o fracasso do Cruzeiro na Libertadores da América, minaram a força e a empolgação pelo clássico deste domingo que abre a decisão do Campeonato Mineiro de 2011. O ideal, melhor para o futebol mineiro, as torcidas, os profissionais e até as mídias teria sido o time azul ter eliminado o Once Caldas na Arena do Jacaré e tornado o Atlético e Cruzeiro em Sete Lagoas uma empolgante final do Campeonato Estadual.

Como o Cruzeiro foi eliminado e anteriormente o Atlético ter saído precocemente da Copa do Brasil, as finais do Campeonato Mineiro vão ser menos empolgantes e mexer  apenas com os torcedores mais fanáticos e não com a maioria do público que gosta do futebol e acompanham as disputas entre os velhos rivais belo-horizontinos.Todos vão perder e o futebol de Minas está diminuído  como as eliminações do Internacional e do Grêmio na mesma noite dramática do Cruzeiro, e do Fluminense foram ruins para os gaúchos, cariocas para o futebol do Brasil em geral.

A tradição e a rivalidade vão seguir no clássico Atlético x Cruzeiro, mas tanto neste domingo, como no outro final de semana, o interesse e participação dos torcedores serão bem menores. O Cruzeiro que era o grande favorito pela campanha que fez até a derrota pífia para os colombianos, tanto de seguir na disputa continental, como para o título estadual, certamente vai ter muitas dificuldades para se reorganizar e sacudir o time para enfrentar o Atlético, que passa a ser candidato forte ao bicampeonato estadual.

Neste domingo, às 16 horas, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, começa a 18ª decisão do Campeonato Mineiro  entre Atlético e Cruzeiro que terá o campeão no domingo seguinte, também na Arena do Jacaré, mas com mando de campo do Cruzeiro e torcida única de azul. Na primeira disputa do título entre atleticanos e cruzeirenses (na época Palestra Itália)  foi em 1940 com grande confusão e mudanças no regulamento pelos dirigentes. Era para ser uma competição em três turnos corridos, mas acabou sendo em dois e como Atlético e Palestra fazendo uma melhor de três para definir o campeão.

No primeiro jogo, o Palestra-Cruzeiro venceu no Estádio Antônio Carlos, alçapão do Atlético, por 3 a 1, em 29 de dezembro de 1940. Na revanche, em 5 de janeiro de 1941, no Estádio JK, no Barro Preto, o Atlético venceu de 2 a 1. Mas na decisão no Estádio  da Alameda, do América, em Santa Efigênia, o Palestra-Cruzeiro venceu de 2 a 0 e foi campeão estadual. De lá para cá, aconteceram 18 clássicos e  a rivalidade só se acirrou. Os números não são precisos e cada clube tem sua estatísticas mostrando a história dos clássicos que começou em 1921.

Desde o primeiro jogo entre atleticanos e cruzeirense (palestrinos) em 1921, mais de 400 clássicos foram disputados, a maioria deles em Belo Horizonte, por torneios locais, regionais e nacionais. O primeiro foi um amistoso em 17 de abril de 1921, no antigo Estádio do Prado, em BH, onde hoje é o Batalhão da Polícia Militar, na rua Platina. Então Palestra Itália, o time cruzeirense venceu por 3 a 0, com dois gols de Atílio e um de Nani. Recém-criado, recebeu uma medalha de ouro pela vitória o sobre o rival, fundado 13 anos antes e que na época dividia o posto de principal clube da capital mineira com o América.

A maior divergência até hoje está relacionada às estatísticas do clássico. Cada clube tem suas contas e números do rival. Foi em 1927 que o Atlético aplicou a maior goleada da história do clássico: 9 a 2, pelo Campeonato Mineiro, chamado Campeonato da Cidade. Maior goleada do Cruzeiro: 5 a 0 em 27 de abril de  2008.

Nos anos 1950, o grande clássico de Minas era América x Atlético, times mais antigos e com maior número de títulos estaduais. Foi a partir dos anos 1960, com a inauguração do Mineirão, em 5 de setembro de 1965,  que o Cruzeiro tirou a posição do Coelho e passou a disputar com o Galo a hegemonia de Minas. Foi também com o Gigante da Pampulha que o clássico tomou grandes proporções de público e renda e passou a ter reconhecimento nacional. O primeiro duelo, em 24 de outubro de 1965, foi vencido pelo Cruzeiro por 1 a 0, com gol de Tostão, e assistido por 47.530 pagantes, público enorme para os padrões da torcida mineira à época.

Em pouco tempo, o clássico passou a ter média de público de aproximadamente 90 mil torcedores por partida. O ápice de bilheteria ocorreu no Mineiro de 1969, quando 123.351 pagantes viram o triunfo celeste por 1 a 0 – recorde de público pagante do Mineirão em toda a sua história.

Até mesmo nos jogos disputados no Mineirão, fechado para ser preparado para a copa de 2014, há  divergências nas estatísticas. De acordo com o Cruzeiro, são 218 partidas, sendo 80 vitórias celestes, 69 empates e 69 derrotas. Para o Galo, foram 224 jogos, com 72 vitórias alvinegras, 71 empates e 81 derrotas.

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Uma resposta para Uma decisão diminuída em Minas

  1. LEONARDO CARVALHO disse:

    Caro Perez, os atleticanos foram presenteados neste domingo com a vitória no primeiro jogo da final mineira e com o belo primeiro gol do glorioso. Parece que o caneco mineiro já tem dono e lugar para ficar, ao lado do Shopping Diamond Mall. Saudações alvi negras e que venha a raposinha atordoada com as ultimas partidas no próximo domingo.

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