Final de uma torcida é aberração

As decisões européias e pelo mundo ou os surpreendentes resultados da copa do Brasil ou da Libertadores da América ou nos campeonatos estaduais de Norte a Sul, vão demonstrando como em Minas – tinha de ser sempre em Minas – estão atrasadas as formas de ver o futebol, os esportes e as relações sociais e como governantes, dirigentes, autoridades e assemelhados adotam medidas que só diminuem as competições, as festas populares e a busca de soluções para problemas em todas as áreas.

A final deste domingo, entre Cruzeiro e Atlético ser na Arena do Jacaré, com lotação limitada e para a China Azul, depois de uma semana atrás, na vitória atleticana também em Sete Lagoas, se ter negado acesso a cruzeirenses sob a discutível argumentação, nunca realmente debatida, de que é questão de segurança e para o bem das torcidas belo-horizontinas e mineiras. Nada mais estranho e contrário ao espírito do esporte e especialmente do futebol. Chega-se ao disparate de os presidentes do Cruzeiro – Zezé Perrela ficou de fora domingo passado  e agora é a vez de Alexandre Kalil por o mando ser azul- e Atlético também serem proibidos, juntos com suas fanáticas torcidas, de ter lugar no Estadinho de Seven Lakes. Tudo por o Estádio Independência e o Mineirão terem sido literalmente jogados no chão e terem obras e projetos que não foram devidamente avaliados e organizados para Minas não ficar sem um estádio de grande porte, capaz de ter, pelo menos, 20 mil ou mais lugares para cada clube na hora de mais um título em jogo.

Há uma semana, os deuses do futebol permitiram que o mandante- o Atlético com vitória de 2 a 1 – tivesse a torcida única e agora pode acontecer de o mesmo Galo Carijó ser bicampeão mineiro e não ter nem dirigentes, nem torcida para comemorar o feito do primeiro título estadual na Arena do Jacaré. Um absurdo e uma demonstração de que se busque, a partir de segunda-feira, dia 16 de maio, um planejamento para que nunca mais aconteçam tais situações que só servem para tirar o público do futebol e criar gerações de torcedores de televisão com uma elitização cada vez mais acentuada do esporte que se tornou uma festa popular no Brasil e hoje é o maior espetáculo da terra do show business.

Um absurdo que deve ter suas consequências e créditos aos que, apesar das críticas e dos alertas, permitiram que se chegasse a tal ponto em BH Grande BH e em Minas. Os menos de 20 mil ingressos colocados à venda para o clássico decisivo deste domingo, acabaram em quatro horas e foram cair, em grande número, nas mãos de exploradores que são especuladores e outras, que já começaram a vender entradas por três vezes  maior preço, prejudicando e elitizando ainda mais o futebol nas Minas Gerais.

Medidas da turma do doutor-não-gosta-o-doutor-não-quer à parte, o Atlético que tomou a vantagem do maior rival, jogando a final por um empate  pode ser bicampeão mineiro e terá todos seus principais jogadores. Já o Cruzeiro que acabou perdendo as conquistas da fase de classificação e das demais fases terá vencer o arquiinimigo para retomar o título estadual e recuperar o respeito e a fé de sua torcida depois de brilhar nas primeiras fases da Libertadores da América e ser eliminado, de forma pífia, pelo Once Caldas em plena Arena do Jacaré na derrota para os colombianos. Minas merece mais e a torcida mineira ser mais respeitada…

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6 respostas para Final de uma torcida é aberração

  1. LEONARDO CARVALHO disse:

    Rogerio, ótimo tema. Esta questão de uma torcida só é lamentavel e deveria ser melhor analisada pelas autoridades. Que tenha um terço do estádio com policiais, um terço para a torcida de um time e um terço da outra torcida. O estádio foi feito para torcidas e não para uma torcida. Menos gente ………….

    • Caro Lo, uma questo que tem mais envolvimentos e interesses que se imagina. Tem muita gente ganhando dinheiro e audincia com essa safadeza de jogo de uma torcida s.Se a moda pega, vo proibir carros nas ruas por causa da violncia no trnsito- j conseguiram limitar caminhes pesados nas estradas em um pas onde o transporte todo das estradas e afins. Por trs de tudo, existe uma elitizao do futebol com ir aos estdios ser s para privilegiados, que podem pagar por camarotes e entradas cada vez mais caras. E os interesses das mdias -televiso em especial -que querem o torcedor fora dos estdios e pagando para ver e, em breve, ouvir as transmisses como j acontece na TV paga e na Internet. Ver uma deciso, um grande clssico, um grande time s pagando os olhos da cara. A conquista do Cruzeiro ficou limitada a um estdio longe, sem grande servio de transportes, estacionamento e tudo mais e mesmo assim venderam todas entradas mas teve pblico presente menor que no primeiro jogo, ambos sem chegar lotao estabelecido da Arena do Jacar. Perderam os clubes, os torcedores e o futebol. Quem ganhou? Os mesmos de sempre. At quando, gente mineira e brasileira??????????? RP

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  2. Luiz Fernando disse:

    Rogério, realmente a coisa está ficando intolerável. É tanta incompetência que a gente fica perplexo. Querem mesmo acabar com as boas coisas da vida. Já está passando da hora de lembrar os anos 60 e gritar, como os jovens rebeldes da época: é proibido proibir.

    • LFP, isso mesmo. A turma do doutor-no-gosta-o-doutor-no-quer tomou conta de tudo e especialmente do futebol, onde corre muito dinheiro. A turma proibe tudo e cria regras que contrariam a lgica e o bom senso. Veja que nos dois jogos decisivos das finais entre Cruzeiro e Atltico o pblico presente foi inferior a 18 mil ou seja 36 mil presentes que era a lotao do velho Estdio Independncia, nos anos 50 e 60. No Mineiro, qualquer clssico a partir de 1965 tinha mais de 100 mil pagantes e a cidade fervia. Agora, vai mais gente para botequins e restaurantes e afins que para a Arena do Jacar que estdio novo e teve lotao reduzida e a execrvel torcida nica. Ainda bem, para os organizadores(??) que o Cruzeiro foi campeo e era mandante. E se fosse o Atltico? J imaginaram o time do Atltico dando volta olmpica na Arena cheia de cruzeirenses??? Onde fica a segurana? Cruz credo… Gracias, RP

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  3. Osmar Dias Filho disse:

    Prezado Rogério.
    Concordo plenamente com você, sobre a proibição de uma das torcidas no jogo.
    Acostumarão os torcedores a assistirem os jogos nos bares, em casa com os amigos e… quem sabe, algum canal detentor dos direitos de transmissão não estaria por trás.
    Quanto ao título de campeão mineiro, abstenho-me da conquista, campeonato de 2 times, o Cruzeiro tem a obrigação de ganhar.
    Saudações Celestiais, Osmar.

    • Osmar, a elitizao completa do futebol que virou o maior negcio do mundo. Querem limitar o torcedor comum primeiro acabaram com a geral, agora as arquibancadas, no futuro s vo ver os jogos, realmente, ao vivo os donos de camarotes e convidados.O amante do futebol mesmo s pagando para ver na TV ou indo para bares, restaurantes e clubes. demais e j se observa que nos dois jogos decisivos na Arena do Jacar foram menos torcedores que em jogos comuns anteriormente no Independncia ou no Mineiro. Querem acabar com o futebol como a gente conhece e admira. Sem torcida, sem emoo, sem rivalidade, sem nada. RP

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