História

Esta página será destinada a histórias vivenciadas pelo jornalista Rogério Perez durante a cobertura de Copa do Mundo, Olimpíadas, eventos importantes no cenário político, econômico mundial.

As feras de Saldanha na Copa de 70

João Saldanha

Cláudio; Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo; Piazza e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu foi a formação da Seleção Brasileira armada por João Saldanha, o João-Sem-Medo, para as eliminatórias da Copa de 70 contra Colômbia, Venezuela e Paraguai. Um timaço conhecido desde sua convocação em 68/69  como as Feras do Saldanha, que venceu os seis jogos e levou a torcida brasileira a acreditar  de novo na Seleção do Brasil que em 1958 e 1962 foi bicampeã mundial, depois do fracasso na Copa da Inglaterra em 1966.

Saldanha – jornalista e comunista – mudou a forma da Seleção Brasileira jogar com os melhores (as feras segundo ele) e com base nos três grandes times brasileiros da época- Santos, Botafogo e Cruzeiro.

Como enviado especial dos Diários Associados de Minas, junto com o fotógrafo Antônio Cocenza, acompanhei as Feras de Saldanha na preparação no Brasil e depois em Bogotá, na Colômbia, e vi nascer a fé no Brasil’70 e também todo o ambiente dos treinos, concentrações, jogos e a coragem de Saldanha para enfrentar inimigos e rivais, dentro e fora do campo. Ele sabia tratar a imprensa e os craques, também os torcedores, só não se dava bem com os dirigentes e seguranças.

Há histórias incríveis dele e de suas medidas para tirar proveito e favorecer suas feras. Duas marcaram as eliminatórias. Uma quando o Brasil foi jogar em Caracas e os jornais venezuelanos mostraram fotos de capa, enormes, de um clone de Pelé (nunca se soube quem era e se era mesmo ele ou um sósia). Foi um escândalo, mas Saldanha negou a história e defendeu os jogadores dizendo que na folga eles podiam fazer tudo. E assim foi…

A outra foi no Estádio Defensores Del Chaco, em Assunção, no Paraguai.  A torcida paraguaia e gente contratada para perturbar a concentração brasileira. Saldanha ficou sabendo antes, avisou a imprensa brasileira que foi para a concentração e acabou com a festa paraguaia. Resultado o Brasil venceu todos os jogos e foi para o México com moral elevada, especialmente a dupla Pelé-Tostão, que ele manteve mesmo contra a onda da turma contra ele e seus métodos, até dentro da CBD (antiga CBF), quando alegavam que eles não podiam jogar juntos e que o Brasil precisava de um centroavante do estilo rompedor. Inacreditável.

No dia de Brasil x Paraguai, Saldanha levou o time cedo para o Estádio Defendores del Chaco, fez todos titulares e reservas entrarem no estádio lotado, receber vaias e ameaças dos torcedores mais exaltados e na hora que a bola rolou o Brasil venceu fácil. Sensacional…

João Saldanha perdeu lugar para Zagalllo e voltou para o jornalismo esportivo, como colunista e comentarista de rádio e televisão. Aconteceram mudanças no time brasileiro e no esquema tático, que passou do 4-2-4 de Saldanha para o 4-3-3 de Zagallo. Mas no tri do México estava a inteligência e o talento de Saldanha também. O time campeão foi: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Marco Antônio (depois Everaldo); Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Jairzinho, Tostão e Pelé. O maior time brasileiro que vi jogar até hoje…

4 respostas para História

  1. Fabrício Silva disse:

    Caro hoje, que beleza saber dos bastidores de eventos tão bacana quanto a Copa do Mundo. Mas vem cá, atacante estilo rompedor sendo o Dadá Maravilha pode né? hehehe…Saudações alvinegras

    • Caro Fabrício, diziam que Saldanha estava perdido, que sem um esquema forte o Brasil não venceria e tudo mais. Dario, o Peito-de-Aço, foi convocado, mas não jogou. Nunca se sabe, se ele estivesse em campo poderia ter feito grandes gols como no atlético, Seleção Mineira e tantos tims que ele jogou. Dadá foi um dos maiores goleadores que vi em ação, desde os tempos que aqui chegou contratado do Campo grande, do interior do Rio.Grato, RP

  2. Lair Pereira de Carvalho disse:

    Tem gente que morre e não aprende…

  3. Alan Kardec disse:

    João Saldanha o Mentor da copa de 1970… Zagalo só concluio.

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